Sinopse do Projeto

IMPLANTAÇÃO DE RECIFES ARTIFICIAIS NA COSTA SERGIPANA

  (PROJETO PILOTO E EXPERIMENTAL AO LARGO DAS PRAIAS DA CAUEI RA/ABAÍS)

 

1.      INTRODUÇÃO

 

   É fato corriqueiro entre tribos polinésias, sul e centro americanas, há séculos, a formação artificial de pesqueiros, com o uso de troncos de árvores e pedras.  Eram as versões primitivas do que hoje é denominado de "atratores", evoluindo posteriormente para "recife artificial".

 

Em termos regionais, são diversos os relatos da criação de pequenos pesqueiros, chamados pelas comunidades estuarinas e ribeirinhas de MARAMBAIAS.  De um modo geral, são iniciativas particulares (em geral, pescadores artesanais) que devido a experiências adquirida ao longo do tempo, sabem da eficiência do material lançado sobre o fundo marinho como fator de agregação de organismos de diversas espécies.

 

O mar brasileiro representa uma potencial fonte geradora de alimentos, energia, emprego e renda, compõe-se de biotas tropicais e sub tropicais que se caracterizam por uma baixa produtividade primária e alta densidade de espécies, formando estoques com reduzida biomassa na maior parte do nosso litoral.

 

 A implantação de recifes artificiais na costa sergipana objetiva em linhas gerais:

 

a) propiciar novas alternativas à pesca artesanal, intervindo positivamente na melhoria da qualidade de vida da comunidade, interpondo restrições à pesca predatória de arrastos;

 

b) desenvolver a curto e médio prazos o recrutamento e colonização de fauna e flora da região em recifes artificiais, aumentando a produtividade do pescador artesanal;

 

c) Viabilizar a prática de atividade de mergulho contemplativo, incentivando o ecoturismo;

 

d) sensibilizar , valorizar e conscientizar o pescador artesanal quanto a importância do desenvolvimento sustentável dos recursos naturais;

 

e) envolver a sociedade civil e o poder público de forma coparticipativa em todas as ações do empreendimento, visando o desenvolvimento sustentável da população.

 

 

2.      MATERIAIS E MÉTODOS

 

2.1. Materiais

 

   Na instalação dos recifes artificiais, poderão ser utilizados os seguintes materiais:

 

- estruturas de jaquetas de plataformas de petróleo;

 

- estruturas pré-fabricadas de concreto (sucata de construção civil);

 

- vagões de trens;

 

- embarcações inoperantes;  

- containeres etc.

 

2.2. Método

 

Os trabalhos de implantação dos recifes artificiais serão desenvolvidos em uma "unidade piloto" com a finalidade principal de geração de conhecimentos científicos e técnicos, suportes indispensáveis em possíveis correções de rumos e futuras ampliações e até expansão do programa para outras áreas.

 

Unidade Piloto - área com perímetro triangular medindo aproximadamente uma milha náutica quadrada e delimitada pelas coordenadas geográficas selecionadas.

 

 

3.      RESULTADOS E DISCUSSÕES

 

   O projeto tem uma abrangência multidisciplinar no que tange às sugestões ambientais, sociais e econômicas. O recrutamento de juvenis, em primeiro lugar, serve de alimento para espécies maiores; em segundo, os juvenis sobreviventes crescerão formando um estoque próprio do recife artificial.

 

3.1. Abrangência Ambiental-Ecológica

 

3.1.1. Caracterização Ambiental (#)

 

    - estudar em caráter sazonal o regime hidrológico (padrões de circulação e massas de água), monitorando variáveis físico-químicas da água (temperatura, salinidade e nutrientes);

 

     - estudar em caráter sazonal as comunidades planctônicas (fitoplâncton, zooplâncton e larvas mesoplânctonicas).

 

3.1.2. Processos Ecológicos (#)

 

Nos sistemas recifais e áreas vizinhas:

 

   a) acompanhar o desenvolvimento de comunidades micro e macro algais às custas dos nutrientes inorgânicos provenientes das intrusões das correntes marinhas predominantes;

 

   b) estudar o processo de colonização dos recifes artificiais em escala temporal e espacial, e o desenvolvimento das comunidades bênticas e nectônicas nas áreas sob sua influência.

 

3.2. Abrangência Social

 

3.2.1. Pesca Artesanal (#)

 

     - caracterizar a produtividade da pesca artesanal local nas áreas sob influência dos sistemas recifais e fora deles;

 

     - caracterizar a produtividade da pesca seletiva (rede de espera, covo, espinhel, casseio etc) nas áreas sob influência dos sistemas recifais e fora deles.

 

3.2.2. Turismo/Recreação (#)

 

     - monitorar fluxo de mergulhadores e pescadores amadores às áreas sob influência dos sistemas recifais;

 

     - monitorar impactos destas atividades sobre a biota dos recifes artificiais (esses estudos, visam a construção de recifes artificiais que apresentem durabilidade, resistência e características químicas adequadas ao processo de colonização).

 

3.3. Tecnológico

 

3.3.1. Material (#)

 

    - desenvolver traços (composição) de concreto a serem empregados na construção de recifes artificiais, e, por conseqüência de cura submarina.

 

3.3..2. Forma e Disposição (#)

 

     - desenvolver recifes artificiais com diferentes formas geométricas, mantendo as características desejadas (resistência e durabilidade);

 

     - desenvolver técnicas de instalação de recifes artificiais em diferentes cotas batimétricas.

 

3.4. Educacional e Científica

 

 - adequa-se perfeitamente à absorção de alunos dos mais diversos níveis de formação, envolvendo alunos de licenciatura e bacharelado em ciências biológicas e oceanografia, inclusive mestrandos e doutorandos em zoologia, botânica, geologia e física.

 

 - proporcionará desenvolvimento de tecnologia direcionada ao uso sustentado dos recursos naturais marinho e gestão ambiental.

 

4.      CONCLUSÕES

 

   A utilização de habitats artificiais marinhos para recriar o ambiente de fundos rochosos irregulares ou coralinos, em áreas notoriamente pobres, já vem sendo aplicada em diversos paises do mundo, como alternativas para a maricultura intensiva, aumentando  a produtividade pesqueira e com enorme potencial para a recuperação de áreas costeiras degradadas. (Hueckel et al., 1989).

 

A PROCRIAR desenvolveu o projeto de recifes artificiais com a convicção de ser uma ferramenta para o desenvolvimento sustentável da zona costeira sergipana e que a curto prazo incrementará benefícios sociais às comunidades costeiras.

 

 

5.      EQUIPE DO PROJETO

 

Jairo Ferreira Dantas 

E-mail: jairo@infonet.com.br

Ivan Coutinho Ram os 

E-mail:

Paulo Edison Furtado Guimarães 

E-mail: paulo.guimaraes@netdados.com.br

Carmen Regina Parisotto Guimarães 

E-mail: crpg@netdados.com.br

Jairo gonçalves dos Santos

E-mail: jairo45@bol.com.br

Nabucodonosor teixeira Bomfim 

E-mail:

Cristiano Correia

E-mail: criscorreia@msn.com

 

6.      AGRADECIMENTOS

 

- Frederico P. Brandini - Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná - CEM/UFPR;

 

- Raimundo Nonato de Lima Conceição - Laboratório de Ciências do Mar da Inversidade Federal do Ceará - LABOMAR/UFC;

 

- Ariel Scheffer da Silva e Fabiano P. Brusamolin - Instituto ECOPLAN - PR;

 

- Antony C. Jensen - School of Ocean and Earth Science, University of Southampton, Southampton Oceanography Centre, Southampton, SO14 3ZH, UK;

 

- Mário Luís Novis - Marno Serviços Técnicos Submarinos Ltda. - SE.

 

Citações com índices                                        

 

 (#) Brandini, et al.  1998.  CEM-Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná-UFPR.  Recifes Artificiais Marinhos: uma proposta de conservação da biodiversidade e desenvolvimento da pesca artesanal através da criação de um "Parque" marinho na costa do estado do Paraná - PROJETO RAM

 

                                                         

 

 

 

 

ONG - PROCRIAR

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Aracaju - Sergipe - Brasil